Jum Nakao: Uma Cópia Inconveniente

Hoje foi meu primeiro dia no encontro organizado pelo Instituto Nuoo. Trata-se de uma sequência de palestras sobre design, que leva o nome de ‘O Olhar da Criação: multiplicidade de caminhos’. Tá acontecendo em BH, super bacana a iniciativa. 


Então. Hoje foi dia de Jum Nakao. A palestra dele leva o nome de ‘Uma Cópia Inconveniente’. 

Vou te contar a verdade. Quando vi o título, não entendi muito bem mas imaginei que seria interessante porque a fala dele é sempre proveitosa. Fui torcendo pra não ter nada sobre o desfile dele de 2004 (a Costura do Invisível) porque achei que não suportava mais ver nada sobre esse assunto. Mas aguentei – foi pouquinho, e as imagens são lindíssimas. 

A palestra do Jum discutiu a situação da moda nacional no tempo atual, só que vale pro design como um todo. Ele citou o grande crescimento de importações no Brasil e a pouca exportação. Ou seja, já viu né. A gente sabe que a coisa tá feia… é só observar o número de grandes grifes que se fecham, outras que simplesmente desaparecem do mercado. 

China e India estão, aos poucos, dominando muito do comercio têxtil nacional. Dê uma olhada nas suas roupas (não vou citar marcas) e veja que muitas delas são made in China. A criação está aqui, a confecção toda lá fora e os acabamentos finais (etiquetas e afins) voltam pra cá. Com isso, muitos empregos não são criados. E fora que a qualidade fica comprometida… juro que confiro a etiqueta agora pra me garantir que tudo que compro é made in Brasilzão.

Numa palestra super interativa, cheia de vídeos e sons, Jum vai nos colocando a par do delicado momento que o parque têxtil brasileiro passa… a gente percebe que grandes redes multinacionais estão crescendo por aqui (Oi Zara) e pequenas empresas nacionais sofrem. E a tendência é mesmo essa. Muitas outras lojas vão vir pra cá.. por esperar (Oi H&M, Olá TopShop)

E ai que a gente vê, percebe e sente que falta algo na criação do nosso país. O Brasil precisa encontrar ou construir seu modelo de criação, uma fórmula que seja característica de nossa cultura e que possa ser reconhecida em todo o mundo. De acordo com Jum (só pra lembrar que não são pensamentos meus) os Estados Unidos, a França, Japão e outros já possuem sua cara… e são bem recebidos por isso. E ai que grandes grifes internacionais cada dia mais dominam o mercado de luxo nacional – que rende horrores em números. Os lucros, flor, ficam mais pra lá do que pra cá. Olha só as Daslus da vida… as M&Guias

A gente precisa dar um jeito, e rápido, de encontrar essa cara de Brasil; só que precisa ser algo não caricato. Imagine os irmãos Campana, a Melissa que fazem sucesso em todo mundo e não tem cara de índio. Entende?!

Pra sair dar crise, e para crescer, criadores e consumidores precisam valorizar mais o design que é reconhecido muito de forma superficial… design é expressão e conceito que formulam um produto completo. Isso tem um custo, porque são profissionais bem formados que ficam ali quebrando a cabeça em frente ao computador, sofrendo com o lápis e o papel. E tal produtode design precisa ter retorno cultural e financeiro. Vamos, nós criadores (sou designer e me incluo), largar as regras e buscar a essência da criação. 

Jum me deixou com vontade de fazer algo mais pela moda, pela criação, pelo objeto completo. E eu, como consumidora, vou buscar valorizar mais ainda a produção nacional porque o valor do design eu já percebi a muito tempo. 

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